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Olá amigos!

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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Boitatá


Representação do boitatá
A lenda do boitatá foi criada pelo padre José de Anchieta, na qual descreveu o boitatá como uma gigantesca cobra de fogo ondulada, com olhos que parecem dois faróis, couro transparente, que cintila nas noites em que aparece deslizando nas campinas e na beira dos rios. Diz a lenda também que o boitatá pode se transformar em uma tora em brasa, para assim queimar e punir quem coloca fogo nas matas.

Diz a lenda, também, que quem se depara com o boitatá geralmente fica cego, pode morrer ou até ficar louco . Assim, quando alguém se encontrar com o boitatá deve ficar parado, sem respirar e de olhos bem fechados.

Como a maioria das lendas e crendices populares que são passadas de geração em geração através do “ouvir e contar”, a lenda do boitatá sofreu algumas modificações, sendo que em muitas partes do Brasil a lenda é contada de forma diferente. Em Santa Catarina, por exemplo, o boitatá é descrito como um touro de "pata como a dos gigantes e com um enorme olho bem no meio da testa, a brilhar que nem um tição de fogo".

Lenda da Mandioca – O Pão Indígena


      

 
Mara era uma jovem índia, filha de um cacique, que vivia sonhando com o amor e um casamento feliz. Certa noite, Mara adormeceu na rede e teve um sonho estranho. Um jovem loiro e belo descia da Lua e dizia que a amava. O jovem, depois de lhe haver conquistado o coração, desapareceu de seus sonhos como por encanto. Passado algum tempo, a filha do cacique, embora virgem, percebeu que esperava um filho. Para surpresa de todos, Mara deu à luz uma linda menina, de pele muito alva e cabelos tão loiros quanto a luz do luar.
Deram-lhe o nome de Mani e na tribo ela era adorada como uma divindade. Pouco tempo depois, a menina adoeceu e acabou falecendo, deixando todos amargurados. Mara sepultou a filha em sua oca, por não querer separar-se dela. Desconsolada, chorava todos os dias, de joelhos diante do local, deixando cair leite de seus seios na sepultura. Talvez assim a filhinha voltasse à vida, pensava. Até que um dia surgiu uma fenda na terra de onde brotou um arbusto.
A mãe surpreendeu- se, talvez o corpo da filha desejasse dali sair. Resolveu então remover a terra, encontrando apenas raízes muito brancas, como Mandi, que, ao serem raspadas, exalavam um aroma agradável. Todos entenderam que criança havia vindo à Terra para ter seu corpo transformado no principal alimento indígena. O novo alimento recebeu o nome de Mani-oka que
 significa casa de Mani. Que é a nossa Mandioca de hoje.

Medusa


Na mitologia grega, Medusa era a única mortal das três irmãs Górgonas.As Górgonas eram Medusa, Esteno e Euríale. Medusa era filha de Fórcis e Ceto (sendo ambos divindades marinhas). Com o aspecto de uma bela mulher, mas que possuía serpentes no lugar dos cabelos e transformava em pedra quem olhasse directamente nos seus olhos. Foi amaldiçoada por Atena, pois ousou competir em beleza com essa Deusa. Perseu foi o responsável pela morte de Medusa, decapitando-a. Para tal, usou um espelho, que colocou à sua frente. Medusa não poderia petrificá-lo, pois ele não a estava olhando directamente; assim ela ficou indefesa. Assim, Perseu enfiou uma espada no seu pescoço: havia duas veias jorrando sangue – de uma um veneno mortal e de outra com um fluido que poderia ressuscitar qualquer morto. Perseu só usou o veneno. Do sangue que ressuscitava (dava vida), nasceu o cavalo alado Pégaso.

Uma lenda árabe da criação


 
     Diz a lenda, assim que terminou de construir o mundo, um dos anjos advertiu o Todo-Poderoso que esquecera de colocar areia na Terra; grave defeito, se considerarmos que os seres humanos estariam privados para sempre de caminhar junto aos mares, massageando seus pés cansados e sentindo o contacto com o chão.
     Além disso, o fundo dos rios seria sempre ríspido e pedregoso, os arquitetos não poderiam usar um material indispensável, as pegadas dos namorados seriam invisíveis; disposto a remediar seu esquecimento, Deus enviou o Arcanjo Gabriel com uma enorme bolsa, para que derramasse areia em todos os lugares que fosse necessário.
     Gabriel fez as praias, o leito dos rios, e quando voltava para o céu trazendo o material que havia sobrado, o Inimigo - sempre atento, sempre disposto a estragar a obra do Todo-Poderoso - conseguiu fazer um furo na bolsa, que arrebentou, derramando todo o seu conteúdo. Isso aconteceu no lugar que é hoje a Arábia, e quase toda a região se transformou num imenso deserto.
     Gabriel, desolado, foi pedir desculpas ao Senhor, por ter deixado que o Inimigo se aproximasse sem ser visto. E Deus, em Sua infinita sabedoria, resolveu recompensar o povo árabe pelo erro involuntário do seu mensageiro.
     Criou para eles um céu cheio de estrelas, como não existe em nenhum outro lugar do mundo, para que sempre olhassem para o alto.
     Criou o turbante, que - debaixo do sol do deserto - é muito mais valioso que uma coroa.
     Criou a tenda, permitindo que as pessoas se movessem de um lugar para o outro, sempre tendo novas paisagens ao redor, e sem as obrigações aborrecidas de manutenção de palácios.
     Ensinou o povo a forjar o melhor aço para a espada. Criou o camelo. Desenvolveu a melhor raça de cavalos.
     E lhe deu algo mais precioso que estas e todas as outras coisas juntas: a palavra, o verdadeiro ouro dos árabes. Enquanto os outros povos modelavam os metais e as pedras, os povos da Arábia aprendiam a modelar o verbo.
     Ali, o poeta passou a ser sacerdote, juiz, médico, chefe dos beduínos. Seus versos possuem poder: podem trazer alegria, tristeza, saudade. Podem desencadear a vingança e a guerra, unir os amantes, reproduzir o canto dos pássaros.
    
 

ESCREVER NA AREIA



 Dois grandes mercadores árabes, de nomes Amir e Farid, eram muito amigos e sempre que faziam suas viagens para um mercado onde vendiam suas mercadorias, iam juntos, cada qual com sua caravana, seus escravos e empregados.


Numa dessas viagens, ao passarem junto a um rio caudaloso, Farid resolveu banhar-se, pois fazia muito calor.
Em dado momento, distraindo-se, foi arrastado pela correnteza.

Amir, vendo que seu grande amigo corria risco de vida, atirou-se nas águas e, com inaudito esforço, conseguiu salvá-lo.


Após esse episódio, Farid chamou um de seus escravos e mandou que ele gravasse numa rocha ali existente, a seguinte frase:

"AQUI COM RISCO DE SUA PRÓPRIA VIDA, AMIR SALVOU SEU AMIGO FARID".

Ao retornarem, passaram pelo mesmo lugar, onde pararam para rápido repouso.
Enquanto conversavam, tiveram uma pequena discussão e Amir alterando-se esbofeteou Farid.
Este aproximou-se das margens do rio e, com uma varinha, assim escreveu na areia:

"AQUI, POR MOTIVOS FÚTEIS, AMIR ESBOFETEOU SEU AMIGO FARID".

O escravo que fora encarregado de escrever na pedra o agradecimento de Farid, perguntou-lhe:


- Meu senhor, quando fostes salvo, mandaste gravar aquele feito numa pedra e agora escreveis na areia o agravo recebido. Por que assim o fazeis?

Farid respondeu-lhe:



- Os atos de bondade, de amor e abnegação devem ser gravados na rocha para que todos aqueles que tiverem oportunidade de tomar conhecimento deles, procurem imitá-los e, além disso, para que esses atos não possam ser apagados com o tempo.

Ao contrário, porém, quando recebemos uma ofensa, devemos escrevê-la na areia, próxima as águas para que desapareça, levada pela maré, a fim de que ninguém tome conhecimento dela e, acima de tudo para que qualquer mágoa desapareça prontamente no nosso coração...

MANEIRA DE DIZER AS COISAS




Uma sábia e conhecida anedota árabe diz que, certa feita, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho.

- Que desgraça, senhor! - exclamou o adivinho. Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.

- Mas que insolente! - gritou o sultão, enfurecido. Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!

Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem cem acoites. Mandou que trouxessem outro adivinho e lhe contou sobre o sonho.



Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:



- Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada.


O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.

A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso e ele mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho. E quando este saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado:

- Não é possível ! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega havia feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com cem acoites e a você com cem moedas de ouro.

- Lembra-te meu amigo - respondeu o adivinho - que tudo depende da maneira de dizer...

Um dos grandes desafios da humanidade é aprender a arte de comunicar-se. Da comunicação depende, muitas vezes, a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra.

Que a verdade deve ser dita em qualquer situação, não resta dúvida. Mas a forma com que ela é comunicada é que tem provocado, em alguns casos, grandes problemas. A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa. Se a lançarmos no rosto de alguém pode ferir, provocando dor e revolta. Mas se a envolvemos em delicada embalagem e a oferecemos com ternura, certamente será aceita com facilidade.

A embalagem, nesse caso, é a indulgência, o carinho, a compreensão e, acima de tudo, a vontade sincera de ajudar a pessoa a quem nos dirigimos.

Ademais, será sábio de nossa parte se antes de dizer aos outros o que julgamos ser uma verdade, dizê-la a nós mesmos diante do espelho.

E, conforme seja a nossa reação, podemos seguir em frente ou deixar de lado o nosso intento.

Importante mesmo, é ter sempre em mente que o que fará diferença é a maneira de dizer as coisas...

domingo, 5 de agosto de 2012

A árvore que fugiu do quintal



No tempo dos quintais, quando as crianças de hoje ainda nem haviam nascido, o mundo era muito bonito. Em todo lugar havia muitas árvores, flores, passarinhos e borboletas de todas as cores.
Quando cansados, desciam correndo, rindo e falando alto: “O último a chegar lá é mulher de padre!” E eu tinha de tomar muito cuidado para não deixar nenhum menino cair de mim. Já com sono de tanto brincar e de barriga bem cheia, procuravam minha sombra, recostavam no meu tronco e dormiam à beça até o sol se pôr.
Vivíamos bem felizes até aparecer na cidade um homem grande, de nome Serjão, gordo feito uma baleia, com bigodão e voz grossa de meter medo.
Serjão começou a comprar tudo; matava as árvores, destruía as casas. Por fim, tapava a terra toda com cimento e construía, no lugar, edifícios de vinte andares.
O nosso mundo foi ficando feio. As crianças já não tinham quase mais lugar para jogar bola de gude, nem árvores para subir, nem terra onde brincar. E aconteceu que o pai do Joãozinho teve de vender a casa. Serjão foi lá no quintal e mandou derrubar tudo: “ Hoje, a casa. Amanhã, a árvore”. O baleião me revoltou. Ah... que vontade de dar uma galhada nele.
Os homens são uns bobões. Pensam que as árvores só servem para enfeitar. Mas nós percebemos tudo. Não temos nariz, mas respiramos. Não temos coração, mas sentimos. Não temos lágrimas, mas choramos muito quando nos maltratam.
Não sei por que os homens acham que são melhores do que nós. Brigam por qualquer coisinha... Só porque um é branco e outro, preto, já é motivo de pancada. Nós, árvores, não brigamos nunca. Mesmo se é uma mangueira e outra, laranjeira. Somos amigas sempre. Não importa de que semente tenhamos nascido.
Naquele dia tão triste, já com saudade do Joãozinho e das crianças e com muita raiva do Serjão gordão cara de melão, resolvi fugir. Esperei ficar de noite, enquanto os homens dormiam, e com muita dificuldade arranquei da terra minhas raízes; são elas que prendem as árvores à terra, e por elas as árvores se alimentam.
Nunca vou esquecer como doeu...como doeu. Fugi para a montanha, de onde via a cidade toda.
Lá de cima, vi a cena mais triste. Casas derrubadas. Árvores também. A terra coberta de asfalto e cimento. Os passarinhos, alguns trazendo no bico, ninhos e filhotes incapazes de voar, fugiam com as borboletas. Um deles pousou em um dos meus galhos e me disse desesperado: “Não há como viver lá embaixo. Em breve não haverá como viver aqui, nem em lugar algum deste triste planeta Terra, que começam a chamar de planeta Cimento”.
Álvaro Ottoni Menezes, Rio de Janeiro: Nórdica, 1991.

UM APÓLOGO



Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que
vale alguma coisa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar
insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem
cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu.
Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que
os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os
cose sou eu, e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou
feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você,
que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo
adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu
é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto,
quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se
passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não
andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou
da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando
orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da
costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E
dizia a
agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta
distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela,
unidinha a eles, furando abaixo e acima.
A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo
enchido por ela, silenciosa e ativa como quem sabe o que faz, e não está para
ouvir palavras loucas. A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se
também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia
mais que o plic-plic plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou
a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no
quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestirse,
levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E
quando compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro,
arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar
da agulha, perguntou-lhe:
— Ora agora, diga-me quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo
parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e
diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o
balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não
menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar
da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro
caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a
cabeça: — Também eu tenho servido de agulha a muita linha !

Sobre dificuldade de leitura no 5º ano


As dificuldades de leitura vêm suscitando desde há muito tempo o interesse de psicólogos, psicopedagogos, professores e outros profissionais interessados na investigação dos fatores implicados no sucesso e/ou insucesso escolar.
A psicopedagogia apoiada em outras ciências como pedagogia, psicologia, neurologia, psicolingüística, psicanálise ocupa-se do processo de aprendizagem humana seus padrões de desenvolvimento e a influência do meio nesse processo.
Portanto o aluno que apresenta dificuldade de leitura sente-se desestimulado para prosseguir no aprendizado escolar, à medida que o volume e a complexidade dos textos a serem lidos aumentam.
Portanto, as dificuldades de leitura dos alunos é um dos fatores que mais preocupam professores que atuam no quinto ano do Ensino Fundamental. Tendo em vista essa problemática, nos perguntamos: Quais as dificuldades vivenciadas pelos alunos no processo de leitura? Como é feito o diagnóstico das dificuldades de leitura dos alunos? Que ferramentas metodológicas os professores utilizam para auxiliarem os alunos a superarem essas dificuldades de leitura?
Cientes da relevância dessa problemática, minha pretensão neste trabalho é mostrar como os professores que atuam no 5ª ano do Ensino Fundamental I numa escola da rede pública enfrentam o desafio de diagnosticar e apoiar os alunos na superação de suas dificuldades de leitura.
Compreende-se a leitura como uma atividade que envolve a construção de sentidos e não como uma simples técnica de decodificação de letras em sons da fala. Ler, no sentido pleno da palavra, é construir um sentido para o texto. Consideramos que alguém ler quando compreende o que lê, quando constrói significado com base na informação escrita.
A decodificação, ou seja, o estabelecimento das correspondências entre sons e letras é apenas um dos fatores envolvidos no processo de leitura e em seu aprendizado inicial.
Inúmeros estudos têm revelado a dificuldade do sistema público de ensino de lidar com o desafio de promover uma prática pedagógica que propicie aos alunos vivenciar a leitura como um processo de construção de sentidos intimamente associados às demandas pessoais e sociais de seus contextos de vida. As estatísticas de evasão escolar e os baixos índices de aproveitamento dos alunos detectado pelos testes de avaliação do ensino básico (SAEB) refletem a dificuldade da escola em democratizar o acesso à leitura, sobretudo, a alunos provenientes das camadas populares.
Em geral, na escola, a leitura tem se reduzido a um exercício mecânico de cumprimentos de tarefas e demandas estritamente escolares, que dissocia as atividades de leitura das práticas sociais comunicativas, acabando por produzir um “modelo escolar” de utilização do texto escrito, que escamoteia seus diversos gêneros, suportes e contextos comunicativos. Como resultado, a aprendizagem da leitura ocorrida no espaço escolar não pode ser transferida para a vida cotidiana.
Considero o caráter complexo e multidimensional da leitura, e a dificuldade da escola em propiciar um ensino condizente com a leitura em seu sentido amplo, é de se esperar que os alunos apresentem marcantes dificuldades em seu processo de aprendizagem da leitura ao longo de sua jornada escolar.
Desse modo, quando se fala das dificuldades de leitura é muito importante que sejam consideradas as mais diversas causas que possam estar associadas a elas. Conforme José e Coelho (2004, p.83), essas causas podem ser de natureza:
Orgânicas: cardiopatias, encefalopatias, deficiências sensoriais (visuais e auditivas), deficiências motoras (paralisia infantil, paralisia cerebral, etc.), deficiências intelectuais (retardamento mental ou diminuição intelectual), disfunção cerebral e outras enfermidades de longa duração.
Psicológicas: desajustes emocionais provocados pela dificuldade que a criança tem de aprender, o que gera ansiedade, insegurança e autoconceito negativo.
Pedagógicas: métodos inadequados de ensino; falta de estimulação pela pré-escola dos pré-requisitos necessários à leitura e à escrita; falta de percepção, por parte da escola, do nível de maturidade da criança, iniciando uma alfabetização precoce; relacionamento professor-aluno deficiente; não domínio do conteúdo e do método por parte do professor; atendimento precário das crianças devido à superlotação das classes.
Sócio-culturais: falta de estimulação (criança que não faz a pré-escola e também não é estimulada no lar); desnutrição; privação cultural do meio; marginalização das crianças com dificuldades de aprendizagem pelo sistema de ensino comum.
Dislexia: um tipo de distúrbio de leitura que colocamos como causa porque provoca uma dificuldade específica na aprendizagem da identificação dos símbolos gráficos, embora a criança receba estimulação e ensino adequados.
O estudo das dificuldades de leitura requer, portanto, um olhar multifacetado e profundo que envolva diversos campos de estudos e busque dar conta de fatores de diversas ordens, evitando, a todo custo, responsabilizar os alunos e suas famílias pela dificuldade de acesso à leitura com base em preconceitos quanto à sua origem sócio-cultural ou uma abordagem que se restrinja a fatores estritamente biológicos ou didáticos.
É de suma importância que os professores possam identificar o quanto antes às dificuldades de leitura dos alunos, buscando investigar os fatores envolvidos nessas dificuldades para que possam apoiá-los em seu processo de aprendizagem.
Para tanto, o professor deve trabalhar em cooperação com os alunos que apresentam dificuldades, com a família desses alunos, com os professores desses alunos em anos anteriores, com a equipe técnico-pedagógica e administrativa da escola.
Vale ressaltar que para ter acesso a um diagnóstico cuidadoso e mais preciso das dificuldades de leitura e o conseqüente desenvolvimento de estratégias de intervenção para ajudar os alunos a superá-las, muitas vezes, o professor necessita contar com o apoio de outros profissionais, tais como, fonoaudiólogos, psicólogos, psicopedagogos.
Mesmo sendo um caminho longo e difícil de ser trilhado, o professor deve encarar o desafio de diagnosticar e intervir satisfatoriamente nas dificuldades envolvidas no processo de aprendizagem da leitura, partindo da premissa que seus alunos são potencialmente capazes de atuar ativamente na construção do conhecimento e na superação dos obstáculos que dificultem o acesso a saberes que são necessários e significativos.
Ao estudar sobre o assunto me deparei com queixas, quanto aos tipos de dificuldades que os alunos apresentavam para ler os textos trabalhados em sala de aula, as professoras e os alunos apontaram como principais as dificuldades típicas do processo inicial de alfabetização, como o não domínio da habilidade de decodificação, um processo de leitura pouco fluente e que não conseguia dar conta da compreensão do texto. Alguns alunos afirmam considerar o livro didático de Português utilizado pela professora como sendo de difícil compreensão por conter textos longos e letra pequena.
Ao analisar as indagações das professoras, observa-se que o trabalho com a leitura dos alunos é difícil e solitário, requer muito esforço, compromisso, paciência e, acima de tudo, a disposição e a formação para assumir o desafio de alfabetizar alunos que já deveriam ter sido alfabetizados nas séries iniciais do ensino fundamental, numa realidade que envolve salas superlotadas, falta de recursos para trabalhar em sala, ausência da família no acompanhamento escolar.
Vale ressaltar que os alunos apontam o empenho por parte das professoras no sentido de apoiá-los na superação de suas dificuldades de leitura, lançando mão de músicas, poesias, histórias infantis, jogos educativos e brincadeiras. Contudo, reclamam que as salas são numerosas e barulhentas, o que acaba dificultando o trabalho das professoras, e uma atenção mais individualizada aos alunos ainda em processo de alfabetização.

Fonte: Dificuldades de Leitura de Alunos do 5ª Ano do Ensino Fundamental I. publicado 14/01/2011 por Fabiola Fernandes de Menezes em http://www.webartigos.com

Lenda do tangram


Não se sabe exatamente qual é a origem do Tangram, só existe a certeza de que ele é originário da China. A origem desse jogo chinês é contada por essa lenda:

"O Tangram surgiu na China e seu nome significa Tábua das Sete Sabedorias.

Conta-se que, no século XII, um monge taoísta deu ao seu discípulo um quadrado de porcelana, um rolo de papel de arroz, pincel e tintas, e disse:

- Vai e viaja pelo mundo. Anota tudo que vires de belo e depois volta.

A emoção da tarefa fez com que o discípulo deixasse cair o quadrado de porcelana, que se partiu em sete pedaços. O discípulo, tentando reproduzir o quadrado, viu formar uma imensidão de figuras belas e conhecidas a partir das sete peças.

De repente percebeu que não precisaria mais correr o mundo. Tudo de belo que existia poderia ser formado pelo Tangram."


Lendas chinesas sobre a origem do mundo

Na China, a criação explica-se através do yin e do yang, energias que se fundem para criar o Universo.
O yang é uma energia masculina, ativa, clara e ímpar; o yin é considerado o princípio feminino, em repouso, escuro e par. São representados pelas metades preta e branca de um círculo e constituem todos os aspetos da vida.
No Universo, estas energias podem estar em expansão e diluírem-se, ou, pelo contrário, aproximarem-se e concentrarem-se. São simbolizadas por dois traços: contínuo para o yang, descontínuo para o yin.
Ao longo do tempo, muitas histórias e lendas foram sendo contadas em redor desse conceito, profundamente enraizado na cultura chinesa.

Existem dois tipos de lendas sobre a origem do mundo:

Sobre a abertura do céu e da terra, e a formação do mundo e todas as coisas;
Sobre a origem dos humanos, incluindo a origem das etnias.
As lendas sobre a abertura do céu (Yang) e da terra (Yin) são divididas em três tipos:
Um ou vários deuses criaram o mundo;
Um gigante que se transforma em todas as coisas do mundo;
O mundo nascendo da transformação da natureza.
Diversas etnias têm suas lendas sobre a origem do mundo. Na mitologia Han, é um gigante chamado Pan Gu quem cria o mundo. Depois, surgem os primeiros senhores do Céu e da Terra, cada um dando o seu contributo ao Homem.
Os principais são:
Nü Wa (Mãe da Humanidade), deusa que criou o homem e as regras de casamento.
Fu Hsi (ou Pao Hsi) (Pai da Escrita), mítico primeiro imperador da China. É reputado por ser o inventor da escrita, da pesca e da caça.
Shen Nong (ou Tian Zu) (Divino Lavrador), a lenda diz que o deus Jiang Shen Nong foi imperador na antiguidade. Inventou a agricultura e a medicina. É normalmente representado por dois cornos, que simbolizam a sabedoria.
Mais tarde, surge na mitologia chinesa o Imperador de Jade, chamado também de "Imperador do Céu", que é o deus mais supremo no budismo e no taoismo, e tem controle sobre todos os deuses dos três mundos: o mundo humano, o mundo celestial e o mundo subterrâneo.

Pan Gu abriu o céu e a terra

O mundo veio de uma bola cósmica, envolta em trevas, flutuando no universo. Dentro da bola, havia um espírito. O espírito foi-se desenvolvendo em silêncio, no seu interior, ninguém sabe por quantos anos, até que finalmente esse novo espírito, chamado Pan Gu, nasceu. Pan Gu vivia dentro da bola, com os olhos meio fechados, absorvendo a nutrição da bola, dormindo tranqüilamente.
Milhões de anos se passaram assim, Pan Gu cresceu e virou um gigante. Um dia, ele abriu totalmente os olhos. Mas porque se encontrava em total escuridão, Pan Gu não conseguiu ver nada.
Ele pensou que o negrume em frente dos olhos fosse por que ele não tivesse acordado totalmente; limpou os olhos, mas mesmo assim não via nada. Limpou várias vezes os olhos, mas em frente dele existia somente uma escuridão sem fim. Ele ficou bravo, pulando e gritando, pedindo pela luz, batendo na bola para quebrar o mundo escuro.
Pan Gu ficava pulando e gritando, ninguém sabe por quantos anos; finalmente, seus gritos e todo o barulho que fez atravessaram a bola e chegaram aos ouvidos do Imperador de Jade no céu.
Ao ouvir o barulho, o Imperador de Jade ficou muito feliz. Ele pegou um machado que tinha ao seu lado, e o jogou dentro da bola para Pan Gu.
Pan Gu, pulando e gritando, de repente, viu um fio de luz quando o machado atravessou a bola. Ficando surpreendido, ele alcançou a mão para tocar a luz. Ao mesmo tempo, o machado chegou e caiu na sua mão. Sentindo que alguma coisa tinha caído na mão, ele deu uma olhada: era um machado. Mesmo não sabendo de onde veio o machado, ele ficou muito feliz e decidiu quebrar a escuridão com o machado.
Com a primeira machadada, Pan Gu ouviu um barulho enorme, tão forte que pareceu quebrar tudo. Uma racha apareceu na bola, e uma luz brilhante veio de fora. Ele ficou tão alegre que por momentos, se deteve, exclamando sua emoção. Mas subitamente, viu que a racha ia-se fechando e a luz sumindo. Ele jogou o machado no chão e empurrou a parte de cima da bola para manter a racha, e a luz.
Sabendo que, se desistisse, a bola fecharia de novo e ele perderia a luz, Pan Gu ficou sustentando a parte de cima com muita força. As juntas dos seus ossos começaram a estalar, Pan Gu estava crescendo.
Todos os dias, ele crescia um Zhang (medida chinesa, 1 Zhang = 3 metros), e a racha aumentava um Zhang. Muitos anos se passaram, Pan Gu chegou à altura de 18 milhas de Zhang, o mesmo acontecendo com a racha.
Ao ver que os dois lados da racha ficaram suficientemente afastados um do outro, não podendo mais fechar, Pan Gu sentiu-se aliviado, e começou a dar uma olhada ao redor dele: a escuridão em cima tinha virado o céu, mudando a cor para azul claro; a escuridão, em baixo, mudou para terra grossa, de cor amarela-marrom.
Olhando para o céu azul claro, tão grande que parecia não ter fim, e a terra amarela, grossa e ampla, Pan Gu sentiu-se muito alegre: a escuridão tinha-se retirado e a terra estava coberta pela claridade. Ele começou a rir.
Ele riu tanto que, de repente, teve um colapso e seu grande corpo caiu no chão. Pan Gu havia morrido. Mas, na verdade, ele não morreu. Seu corpo brilhou e as partes da sua essência física começaram a se transformar.
O seu olho esquerdo voou para o leste do céu, e virou o sol brilhante que ilumina tudo. O seu olho direito voou para o oeste do céu e virou a lua terna.
A sua respiração transformou-se no vento da primavera que acorda a Vida e nas nuvens que flutuam no céu; a sua voz, no raio que ilumina as nuvens escuras com um trovão ensurdecedor.
Seus cabelos e barba voaram em todos os sentidos e viraram florestas densas, ervas prósperas e flores coloridas. Seu suor atingiu o céu e virou estrelas brilhantes. Seus braços e pernas se estenderam e formaram montanhas.
Suas veias tornaram-se caminhos serpenteando a terra, onde seu sangue fluiu, formando os rios. Seus dentes e ossos se espalharam e viraram metais brilhantes; jades brancos, pérolas cintilantes, ágatas lindas e tesouros abundantes. Da sua saliva, surgiu a chuva que umedece a terra. O que restava da vida em seu espírito virou lentamente em bichos, peixes, pássaros e insetos, e trouxe vitalidade para o mundo.
Usando seu corpo e seu espírito, Pan Gu criou o mundo.

Nü Wa criou os humanos

Nü Wa é uma deusa que nasceu da terra.
Um dia, ela estava andando no campo, e olhou para as montanhas onduladas, os rios correntes, as florestas densas; viu que os pássaros estavam cantando e voando no céu, os peixes estavam brincando na água, os insetos estavam pulando na grama, o mundo era lindo. Mas Nü Wa se sentia muito sozinha e infeliz, nem ela sabia porquê.
Ela exprimiu sua solidão para as montanhas e as florestas, mas elas não a entenderam; ela contou seus pensamentos para os bichos e pássaros, mas eles não a entenderam. Sentando-se na beira de um lago e olhando para sua sombra na água, Nü Wa sentiu-se muito desapontada.
Uma brisa ligeira passou, uma folha caiu na água e causou ondulações leves, a sombra de Nü Wa ficou oscilando na água. De repente, Nü Wa percebeu que lhe faltavam vidas iguais como ela.
Pensando nisso, ela pegou um pouco de lama amarela na beira do lago, amassou-a, e formou uma figura semelhante à sua sombra na água. Era uma figura pequena, com uma cara parecida, tendo duas mãos e dois pés. Quando ela colocou a figura no chão, a figura ganhou vida. Nü Wa ficou muito feliz, ela continuou fazendo muitas figuras, e chamou-lhes "humanos", moldando tanto homens como mulheres.
Porque os humanos foram criados simulando a aparência da deusa, eles receberam disposições e comportamentos diferentes de outras vidas. Eles sabiam falar a mesma língua de Nü Wa. Eles conversaram com ela, aplaudiram ao redor dela, e depois, saíram do seu lado e se espalharam.
O coração solitário de Nü Wa ficou muito feliz. Ela ficou com vontade de tornar o mundo mais animado com muitos humanos. Então, continuou trabalhando em fazer figuras.
Mas o mundo era tão grande. Mesmo trabalhando muito até ter os dedos entorpecidos, o mundo ainda continuava muito vazio. Pensando que assim não adiantava muito, Nü Wa pegou uma vinha de uma árvore, molhou-a com lama e jogou-a no chão.
As gotas de lama bateram no chão, e viraram em figuras parecidas que as que Nü Wa fez à mão. Nü Wa ficou jogando a vinha e espalhou os humanos para todos os lugares do mundo.
Depois de criar bastantes humanos, Nü Wa ficou contente. Ela decidiu fazer uma pausa e passear um pouco para ver como as pessoas viviam.
Um dia, ela chegou num local e descobriu que havia pouca gente ali. Ela achou isso muito estranho e ficou procurando. Aí, descobriu que muita gente estava deitada no chão, sem movimento algum. Ela chegou a tocar nos corpos, mas nada aconteceu: foram as primeiras pessoas que Nü Wa criou, estavam agora com cabelos brancos e tinham morrido.
Ao ver isso, Nü Wa ficou muito preocupada: ela tinha trabalhado tanto, mas as pessoas envelheciam e acabavam por morrer. Se ela quisesse um mundo com pessoas, ela teria de criar humanos sem parar.
Então, dirigiu-se ao templo de Pan Gu, e pediu ao deus para que ela pudesse ser a casamenteira dos humanos. Ela recebeu essa permissão e aí mandou os homens e mulheres reproduzirem-se entre si, para terem descendência. Porque os humanos são criaturas geradas à imagem da deusa, sendo diferenciados dos bichos, Nü Wa criou também o sistema de casamento para eles.
E Nü Wa, tendo criado a raça humana, tornou-se também sua casamenteira, como forma de perpetuar os seres humanos na Terra.

Zhao Gu Niao - o pássaro que procura a cunhada - O Cuco

Muitos anos atrás, havia uma mulher velha, ela tinha um filho e uma filha. O filho se casou, e pouco tempo depois do casamento, ele saiu da casa para fazer negócios. A velha vivia com sua filha e sua nora, mas ela gostava somente da filha e tratava a nora muito mal.
Olhando para a filha, ela sempre falava: "Minha filha, coma mais um pedaço de panqueca, tome mais sopa de arroz."
A filha sempre dividia a panqueca com a cunhada, mas a velha se virava e falava para a nora: "Você come tanto, toma tanto, nunca tenho suficiente para você."
E o problema para a nora não era somente a falta de comida e de roupa, a velha batia nela e a maltratava com freqüência.
Uma vez, a velha criou muitos bichos-de-seda, tantos que não dava para contar. Toda madrugada, a velha forçava a nora a subir os montes para colher folhas de amoras para alimentar os bichos-de-seda. Dia a dia, as amoreiras no monte estavam ficando sem folhas.
Mas os bichos-de-seda cresciam muito e exigiam cada vez mais comida. Em abril, os corpos deles começaram a brilhar, eles estavam quase prontos. A nora espalhava uma camada de folhas de amoras em cima dos bichos-de-seda, "Xa...xa...xa...", as folhas acabavam; ela espalhava uma outra camada, "Xa...xa...xa...", as folhas acabavam...
Um dia, a velha sogra maltratou de novo a nora: "Uma nora é igual a um cavalo que a gente compra, pode andar no cavalo, pode bater nele, como quiser. Se hoje você não voltar com suficientes folhas de amoras, vou bater em você."
A velha viu bem que a nora saiu da casa, ela se virou, e viu que a filha estava trabalhando nos bichos-de-seda. Ficou com muita pena, e falou: "Minha boa menina, descanse! Deixe as coisas para sua cunhada. Você tem fome? Está com sede? Tenho ainda panquecas e sopa de arroz para você."
A filha da velha era muito linda, mas sendo diferente da mãe, ela tinha um bom coração. Ela amava sua cunhada e tinha muita pena dela. Ouvindo o que a mãe disse, ela respondeu: "Sou um ser humano igual a minha cunhada, por que não posso fazer as coisas, e tenho de deixá-las para minha cunhada!"
A velha ficou muito brava por que a filha não obedeceu. Queria bater nela, mas já sentiu dor dentro de si quando pensou nisso; queria maltratá-la, mas já ficou com pena antes de abrir a boca. Ficando brava, mas sem saber o que a fazer, batendo as mãos, e ela saiu de casa.
A nora subiu os montes, andou procurando amoreiras. Meio dia se passou, ela achou somente algumas folhas. O sol já estava bem alto sobre a sua cabeça, a nora se sentou no chão e começou a chorar.
Em casa, a filha tinha terminado seu trabalho, e ficou preocupada com a cunhada, pensou: "Não me sinto normal hoje, meu coração bate tão rápido, talvez minha cunhada esteja com fome, talvez ela esteja se sentindo mal." Ela pegou algumas panquecas, levou um copo de sopa de arroz, e subiu o monte.
Logo ela via que sua cunhada estava chorando ao lado do caminho, ela chegou perto e pegou a mão da cunhada e falou: "Minha irmã, não chore. Se você está com fome, trago panquecas para você; se você está com sede, tenho sopa de arroz."
A cunhada chorou: "Minha irmãzinha, se eu estivesse com fome, poderia comer ervas comestíveis; se eu tivesse sede, poderia tomar a água do rio. Mas ando pelos montes, e vejo somente carvalhos. Se não achar suficientes folhas de amoras, como mamãe vai me receber!"
A filha da velha limpou as lágrimas da cunhada, penteou os cabelos dela, e disse: "Minha irmã, não chore. Coma as panquecas, tome a sopa, aí a gente procura juntas." Ela forçou a cunhada a comer um pedaço de panqueca, a tomar um pouco da sopa, e a acompanhou na procura.
Elas atravessaram os rios, e andaram por todos os montes, mas não encontraram nenhuma amoreira, o que elas viram, eram só carvalhos.
Vendo que o sol estava se pondo, a nora disse: "Minha boa menininha, a noite está caindo, os lobos estão saindo das cavernas, os tigres estão vindo. Você vai para casa."
A filha respondeu: "Minha irmã, a noite está caindo, os lobos estão saindo das cavernas, os tigres estão vindo. Você vai comigo para casa."
A nora olhou no cesto vazio e disse: "Sua irmã vai esperar aqui. Talvez o Deus do monte tenha pena de mim e torne os carvalhos em amoreiras."
"Vamos esperar juntas. Talvez o Deus do monte tenha pena da gente e torne os carvalhos em amoreiras."
Elas continuaram procurando no monte, mas viram somente carvalhos, sem amoreiras.
O sol se pôs atrás do monte.
A noite caiu.
A lua subiu por cima das árvores.
O cesto estava vazio, a nora começou a chorar.
O vento estava soprando, a água do rio estava cantando.
De repente, a filha levantou a cabeça e gritou para o monte: "O Deus do monte! Se você tornar os carvalhos em amoreiras, vou me casar contigo!"
As folhas dos carvalhos começaram a se bater.
A filha gritou de novo: "O Deus do monte! Se você tornar os carvalhos em amoreiras, vou me casar contigo!"
Os carvalhos estavam fazendo mais barulho ao vento.
A filha já se decidiu e gritou de novo: "O Deus do monte! Se você tornar os carvalhos em amoreiras, vou me casar contigo!"
Depois do terceiro grito da filha, começou de repente um turbilhão; o céu se cobriu de nuvens, e a terra escureceu. As folhas das árvores estava fazendo muito barulho.
Um momento depois, o vento parou, a lua brilhou de novo, os montes estavam cobertos de amoreiras, e sumiram todos os carvalhos.
As duas moças ficaram tão felizes e começaram a pegar as folhas das amoreiras. As folhas eram tão grandes, toda folha tinha o tamanho da mão. Logo o cesto ficou cheio. Elas carregaram o cesto e desceram o monte.
A velha estava se preocupada em casa, porque não achava mais sua filha. Vendo que a filha estava voltando, ela ficou tão feliz como se tivesse encontrado uma grande riqueza. Apesar da nora voltar com bastante folhas de amoras, a velha ficou muito brava com ela e disse que ela não poderia levar sua filha. Finalmente, a velha mandou a nora cuidar dos bichos-de-seda à noite e ela nem pôde dormir.
No dia seguinte, a nora subiu o monte de novo para pegar folhas de amoras, a filha da velha levou de novo panquecas para ela. Os montes estavam cheios de amoreiras, não se via mais nenhum carvalho.
Alguns dias depois, os bichos-de-seda fizeram casulos.
Um dia, quando a filha e a nora estavam trabalhando nos casulos, uma grande nuvem preta veio do noroeste, e seguindo a nuvem, um forte vento escuro. As arvores estava balançando, tanto que puxaram as raízes para fora da terra. O vento chegou perto, levantou o telhado, e pegou a filha.
A nora ficou chocada. Ela pulou no vento escuro e procurou sua cunhada. Os ramos das árvores caindo batiam no seu corpo, as pedras levantadas pelo vento machucavam suas mãos. Ela caiu muitas vezes no chão, mas ela se levantou, continuou correndo atrás do vento e gritou: "O Deus do monte, deixe minha cunhada!"
O vento escuro entrou nos montes, a nora o seguiu nos montes. Mas as amoreiras bloqueavam sua vista. De repente, o vento sumiu.
A nora ficou nos montes procurando, os sapatos se gastaram.
A nora ficou procurando, de dia, de noite, suas roupas se rasgaram pelas árvores.
O verão passou, veio o outono; o outono passou, o inverno estava chegando. Todas as ervas nos montes sabiam que a nora estava procurando sua cunhada, elas puseram suas folhas no chão para proteger os pés da nora.
Todas as árvores dos montes sabiam que a nora estava procurando sua cunhada, elas baixavam os ramos para que suas frutas ficassem mais perto da nora.
Todos os pássaros nos montes sabiam que a nora estava procurando sua cunhada, eles tiravam suas penas e as jogavam para a nora, para que ela pudesse passar o inverno quentinha. As penas voavam ao redor da nora, levemente, bem com a neve; finalmente, elas cobriram a nora completamente.
 Lendas Chinesas
No dia seguinte, veio o vento frio do inverno. A nora já virou um passarinho belo, coberto por tantas penas belas. Ela voava sobre os montes e cantava: "Zhao Gu! Zhao Gu!" (Zhao Gu significa "procuro a cunhada".)
O inverno frio passou, a bela primavera chegou de novo. O belo passarinho voava em cima das amoreiras e cantava: "Zhao Gu! Zhao Gu!"
Ela passava pelo pomar florido e cantava: "Zhao Gu! Zhao Gu!"
Ela passava pelos campos verdes, voava abaixo das nuvens brancas da primavera, e cantava o tempo todo: "Zhao Gu! Zhao Gu!"
Meses passaram, anos passaram, todas as pessoas sabiam que ela estava procurando a cunhada. As pessoas ficavam com muita pena dela, e a chamava de Zhao Gu Niao - o pássaro que procura a cunhada, que é o Cuco.
Fonte: minhachina.com

Esqueceram o corvo


Por António Torrado | Cristina Malaquias, 5 de agosto de 2009
Esqueceram o corvo

Um dia, a família dos pombos resolveu dar um banquete. Convidaram para a festa todos os animais de asas e penas, mas esqueceram-se do corvo.
Imperdoável! Se estavam a águia, o falcão, a cegonha, o gaio, a coruja, o ganso, o cisne, a galinha mais o galo, o pardal, a pardoca e os respectivos pardalinhos, a codorniz, a andorinha, o melro e tantos mais, quem daria por falta do corvo?
Deu ele, que muito se susceptibilizou com o esquecimento. E, como era vingativo, agarrou numa grande pedra e sobrevoou, lá muito do alto, a mesa da festança.
Quando as aves estavam todas a comer, na maior das alegrias, o corvo, lá de cima, fez pontaria e largou o pedregulho. Não se queira saber! A pedra caiu no meio da mesa e espatifou tudo. Estava estragada a festa.
Empoleirado no galho de uma faia, o corvo assistiu à confusão que provocara e fartou-se de rir. Riso de malvado. Assim:
- Eh! Eh! Eh! Eh! Eh!
Houve uma garça que o viu rir e calculou o resto. Foi dizer aos pombos, que por sua vez foram dizer às outras aves.
- Ah, o culpado pelo estardalhaço que interrompeu a festa foi o corvo? Pois deixa estar que não perdes pela pancada - ameaçaram.
E as aves todas juntas acertaram numa conspiração.
Dias depois, a família dos pombos convidou o corvo para um jantar de gala. Era ele o único convidado.
Muito honrado com o convite, o corvo, vestido com o seu luzidio fato de cerimónia, todo preto, apresentou-se para o jantar de festa.
Sentaram-se à mesa os pombos todos brancos, a fazerem companhia ao corvo. Veio a terrina da sopa, que foi colocada diante do convidado.
- Faça favor de se servir primeiro - disseram os pombos, com muito bons modos.
- Do que é a sopa? - perguntou o corvo, cheio de apetite.
- Sopa de pedra - disseram os pombos, em coro.
E era mesmo. Lá estava, dentro de uma enorme terrina, o pedregulho que o corvo atirara.
- Não tenho vontade - disse o corvo, embaraçado.
- Pois nós também não temos mais nada para oferecer - disseram os pombos. - Este cozinhado caiu do céu e pela forma como nos chegou à mesa estamos convencidos que é muito especial. Por isso o reservámos para as visitas mais ilustres. Faça favor de provar.
O corvo, para não dar parte fraca, não teve outro remédio senão dar uma bicada na pedra.
- Está saborosa? Quer repetir? - perguntaram os pombos.
- Muito obrigada. Estou satisfeito - respondeu o corvo.
- Só mais um bocadinho, vá lá... - insistiram os pombos.
E o corvo passou o jantar às bicadas à pedra.

Crônica - No país do futebol




Juvenal Ouriço aproximou-se de um vendedor parado à porta de uma loja de eletrodomésticos e perguntou:
- Qual desses oito televisores os senhores vão ligar na hora do jogo?
- Qualquer um - disse o vendedor desinteressado.
- Qualquer um não. Eu cheguei com duas horas de antecedência e mereço uma certa consideração.
- Pra que o senhor quer saber?
- Para já ir tomando posição diante dele.
O vendedor apontou para um aparelho. Juvenal observou os ângulos, pegou a almofada que o acompanha ao Maracanã e sentou-se no meio da calçada.
- Ei, ei, psiu - chamou-o um mendigo recostado na parede da loja - como é que é, meu irmão?
- Que foi? - perguntou Juvenal.
- Quer me botar na miséria? Esse ponto aqui é meu.
- Eu não vou pedir esmola.
- Então senta aqui ao meu lado.
- Aí não vai dar para eu ver o jogo.
- Na hora do jogo nós vamos lá pra casa.
- Você tem TV a cores?
- Claro. Você acha que eu fico me matando aqui pra quê?
Juvenal agradeceu. Disse que preferia ficar na loja onde tinha marcado encontro com uns amigos que não via desde a final da Copa de 78. O mendigo entendeu. E como gostou de Juvenal, lhe deu o chapéu onde recolhia esmolas. Juvenal, distraído, enfiou-o na cabeça.
- Não, não. Na cabeça não.
- Por que não?
- Já viu mendigo usar chapéu na cabeça? Deixe-o aí no chão. Sempre pinga qualquer coisa.
Aos poucos o público foi aumentando, operários, vendedores, contínuos, vagabundos e às 15h45 já não havia mais lugar diante das lojas de eletrodomésticos. Os retardatários corriam de uma para outra à procura de uma brecha. Alguns ficavam pulando atrás da multidão tentando enxergar a tela do aparelho.
- Quer que eu lhe ajude? - perguntou um cidadão já meio irritado com um contínuo pulando rente às suas costas.
- Quero.
- Então me diz onde é o seu controle da vertical.
- Controle da vertical, pra quê?
- Pra ver se você pára de pular aqui nas minhas costas.
As lojas concentravam multidões. As calçadas da cidade, que já são poucas, desapareciam completamente. Em jogos da Seleção Brasileira, durante a semana, cresce bastante o número de atropelamentos porque o pedestre é obrigado a circular pelas ruas. Além disso, os motoristas ficam muito mais ligados no rádio do que no trânsito.
Na porta da loja onde estava Juvenal havia umas 200 pessoas do lado de fora e somente uma do lado de dentro: o gerente. Até os vendedores da loja já tinham se bandeado afirmando que assistir um jogo atrás da televisão não é a mesma coisa que vê-lo atrás do gol. Quando a bola saía entravam os comentários dos torcedores.
No início do segundo tempo, um cidadão que não se interessava por futebol (um dos 18 que a cidade abriga) foi pedindo licença à galera e com muita dificuldade conseguiu entrar na loja. O gerente foi ao seu encontro: "O senhor deseja algo?"
- Um aparelho de televisão.
- Por que o senhor não leva aquele?
- Qual?
- Aquele que está ligado ali na porta.
- É bom?
- O senhor ainda pergunta? Acha que haveria 200 pessoas diante dele se não tivesse uma boa imagem?
- Bem...
- E não é só isso - completou o gerente aproveitando a euforia do público com um gol do Brasil - que outro aparelho transmite emoções tão fortes?
- Essa gritaria toda foi diante do aparelho?
- Lógico. Esse é o novo televisor AP-007 dotado de controle de emoção. Só este televisor pode levá-lo do choro convulsivo à completa euforia.
- É mesmo? E se eu desejar vê-lo sentado quietinho na poltrona?
- Também pode, mas é aconselhável desligar o botão da emoção, se não o senhor não vai conseguir ficar quietinho na poltrona.
O cidadão convenceu-se. Disse que ia levá-lo. O gerente, precavido, pediu-lhe para ir à porta da loja apanha-lo. O cidadão não teve dúvidas. Ignorando aquela massa toda diante do seu aparelho, foi lá tranqüilamente e cleck. Desligou-o.
O que aconteceu depois eu deixo por conta da imaginação de vocês.
Carlos Eduardo Novaes

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Comunicação



Luís Fernando Veríssimo

É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome?
- Posso ajudá-lo, cavalheiro?
- Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...
- Pois não?
- Um... como é mesmo o nome?- Sim?
- Pomba! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima.
- Sim senhor.
- O senhor vai dar risada quando souber.
- Sim senhor.
- Olha, é pontuda, certo?
- O quê, cavalheiro?
- Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?
- Infelizmente, cavalheiro...
- Ora, você sabe do que eu estou falando.
- Estou me esforçando, mas...
- Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?
- Se o senhor diz, cavalheiro.
- Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.
- Sim senhor. Pontudo numa ponta.
- Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?
- Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor desenha para nós?
- Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em desenho.
- Sinto muito.
- Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou um débil mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso, tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum problema com os números mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um débil mental, como você está pensando.
- Eu não estou pensando nada, cavalheiro.
- Chame o gerente.
- Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o senhor quer, é feito do quê?
- É de, sei lá. De metal.
- Muito bem. De metal. Ela se move?
- Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa na ponta, assim.
- Tem mais de uma peça? Já vem montado?
- É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.
- Francamente...
- Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra volta e clique, encaixa.
- Ah, tem clique. É elétrico.
- Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.
- Já sei!
- Ótimo!
- O senhor quer uma antena externa de televisão.
- Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo...
- Tentemos por outro lado. Para o que serve?
- Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa.
- Certo. Esse instrumentos que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete de segurança e...
- Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!
- Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!
- É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?